sábado, 23 de fevereiro de 2013

Afinal, o que é crase?

A crase gera muita confusão no cotidiano das pessoas. Crase não é acento. O nome do acento usado na crase é acento grave ( ` ). Mas com um pouco de estudo e dedicação podemos melhorar um pouco a nossa escrita.

Afinal, o que é crase?

A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à "junção" de duas vogais idênticas. Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O uso apropriado do acento grave, depende da compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem a preposição "a". Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. Observe:

Vou a   a igreja.
Vou à igreja.

No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição "a", exigida pelo verbo ir (quem vai , vai  a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas é indicada pelo acento grave.


Casos em que ocorre a crase

1.Antes de substantivo feminino que exija artigo:

Aos poucos adaptei-me à turma.

Quem se adapta, adapta-se a alguma coisa. A quê? A turma.

Portanto: Adapta-se a + a turma = à turma

2.Antes de nomes de localidades, quando tais nomes admitem o artigo a:
Viajaremos à Colômbia.
Aqui podemos usar a velha técnica do verso:
Quando vou e volto da, é preciso crasear,
Quando vou e volto de, crasear pra quê?
Ex.: Vou a Curitiba. Volto de Curitiba. (Volto de, portanto não recebe crase)
Vou à Bahia. Volto da Bahia. (Volto da, portanto é preciso crasear!)

3.Antes de numeral, seguido da palavra hora, mesmo subentendida:
Chegaram às quatro horas.
Às oito e quinze o despertador soou.

4.Antes de substantivo, quando se puder subentender a palavra moda ou maneira:
Aos domingos, trajava-se à inglesa.

5.Antes da palavra casa, se esta vier determinada:
Retornou à casa paterna.
Obs.: Não há crase se a palavra casa se refere ao próprio lar.
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis.

6.Antes da palavra terra, se esta não for antônima de bordo:
Voltou à terra onde nascera.
Os marinheiros vieram a terra.

7.Com o a dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, quando completam  sentido de um verbo que exija preposição:
Entregou um prêmio àquele aluno.
Quem entrega um prêmio, entrega a alguém. a + aquele = àquele
Chegou àquela região inóspita.
Quem chega, chega a algum lugar.
Um modo prático de esclarecer dúvidas a respeito do emprego ou não da crase, consiste em substituir os pronomes aquele, aquela, aquilo por este, esta, isto ou isso e observar se vêm regidos de preposição:
Entregou o prêmio àquele aluno. Entregou o prêmio a este aluno.
Chegou àquela região inóspita. Chegou a esta região inóspita.

8.Nas locuções:
Prepositivas: à beira de, à espera de, à cata de, à vista de, à semelhança de
Conjuntivas: à medida que, à proporção que...
Adverbiais femininas: às, cegas, às claras, às escondidas, à toa, às pressas, às vezes, à esquerda, à direita, à força, à tarde, à noite...

9.No a que precede os pronomes que, qual e quais, quando o verbo ou o nome exigir preposição. Isto pode ser verificado, substituindo-se o antecedente por uma palavra masculina. Se o a se transformar em ao, há crase.
A situação em que me encontro é igual à que superaste.
O impasse em que me encontro é igual ao que superaste.

10.Quando o artigo está desacompanhado do respectivo substantivo:
O atleta correu da quadra de tênis à de basquete.

 Casos em que não ocorre a crase:
1.Antes de substantivos masculinos:
Iremos a cavalo

2.Antes de artigo indefinido:
Fui a uma região árida.

3.Antes de verbo:
Convenceu-me a aceitar o cargo.

4.Antes de pronomes de tratamento:
Remetemos a Vossa Senhoria a encomenda.

5.Antes de pronomes pessoais, demonstrativos e indefinidos que não admitem artigo:
Entreguei o bilhete a ela.
Solicitou ajuda a quem o ouvisse.
Não compareceu a esta reunião.
Obs.: É comum, porém, o emprego de artigo definido diante do indefinido outro. Podemos ter, então: Estavam coladas umas às outras.

6.Depois de preposição:
Depôs perante a comissão de inquérito.

7.Quando o a estiver no plural e for seguido de palavra no plural:
Nunca fui a gafieiras.

8.Na locução a distância, a menos que se determine a distância:
O líder assistia a tudo a distância.
O líder assistia a tudo à distância de cem metros.

9.Nas locuções de palavras repetidas:
Cara a cara, face a face, frente a frente...

Casos em que a crase é facultativa:
1.Antes de nome próprio referente a pessoa:
Ofereci um poema a/à Helena.

2.Antes de pronomes possessivos:
Dirigiu-se a palavra a/à nossa secretária.

3.Com a preposição até:
Fui até a/à rua.

Fonte da Imagem: http://redeglobo.globo.com/platb/files/2470/2013/05/crase1-e1367611709713.jpg

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A gramática ajuda a viver

A linguagem dirige os pensamentos para direções especificas e, de alguma forma, ela ajuda a pessoa a criar a sua realidade, potencializando ou limitando suas possibilidades. A habilidade de usar a linguagem, com precisão, é essencial para uma boa comunicação e para o sucesso. Aqui a gramática cruza com a vida.
1) Cuidado com a palavra "não". A Frase que contém "não", para ser compreendida, traz à mente o que está junto com ela. O "não" existe apenas na linguagem e não na experiência.
Se pedir a uma pessoa que não pense na cor vermelha, ela pensou sem querer, apesar da negativa, por isso procure falar no positivo, naquilo que quer e não naquilo que não quer.
2) Cuidado com a conjunção adversativa "mas", que nega tudo que veio antes. Por exemplo: "O Pedro é um rapaz inteligente, esforçado, mas...". Substitua "mas" por "e", mude a construção da frase.
3) Cuidado com o verbo "tentar", que pressupõe a possibilidade de falha. Por exemplo: "Vou tentar encontrar com você amanhã às 8 h". Em outras palavras: a pessoa tem grande chance de não ir, pois vai "tentar". Evite "tentar", "farei o possível", diga sim ou não.
4) Cuidado com "não posso" ou "não consigo", que dão ideia de incapacidade pessoal. Use "não quero", "não podia" ou "não conseguia", que pressupõe que vai conseguir, que vai poder.
5) Cuidado com os verbos "devo", "tenho que" ou "preciso", que pressupõem que algo externo controla a sua vida. Em vez deles use "quero", "decido", "vou".
6) Fale dos problemas ou das descrições negativas de si mesmo, utilizando o verbo no passado. Isso libera o presente. Por exemplo: "Eu tinha dificuldade em fazer isto..."
7) Fale das mudanças desejadas para o futuro, utilizando o tempo presente. Por exemplo: em vez de dizer "Vou conseguir", diga "Estou conseguindo".
8) Substitua o "se" "quando". Por exemplo: em vez de falar "Se eu conseguir ganhar dinheiro, vou viajar", fale "Quando eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar".
9) Substitua "espero" por "sei". Por exemplo: em vez de falar "Eu espero aprender isso", diga "Eu sei que vou aprender isso". Esperar suscita dúvidas e enfraquece a linguagem.
10) Substitua o futuro do pretérito pelo presente. Por exemplo: Em vez de dizer "Eu gostaria de agradecer a presença de vocês", diga "Eu agradeço a presença de vocês". O verbo no presente fica mais forte e concreto.
(Estas dez recomendações fazem parte de sites de consultorias de marketing e relacionamento humano. Não aparece o nome do autor. Reproduzido com adaptações.)
Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjl64TrZEG2oI6Gz2WGhi-OMfSVyoGuky_GkEj5hmYwnsYNWTq2XeGqL-sfZBqoLWoR4lNWJ0G72eN0VbIu4qzgNhVQEdN8MstWaeywnOF0pqSDbRs2cowQS5HXJZBqxg1ctgTnZ3wolks/s1600/pasquale.JPG

Reforma Ortográfica



Para quem não se preocupou e deixou tudo para a última hora, chegou o momento de estudar as regrinhas, pois o prazo de transição para a adaptação à nova ortografia acabou em 2012. Durante estes quatro anos (de 2009 a 2012)  ninguém pôde ser punido por escrever pela norma antiga, nem mesmo em vestibular ou concurso público. Mas a partir de 2013 somente as novas regras estão valendo e precisamos nos adaptar a nova escrita.

Porém, apesar do prazo ter se esgotado, muitas pessoas ainda não se adequaram às mudanças decorrentes da reforma e pior: sequer as conhecem.

Se você está nesta situação, dê uma passada neste site  e conheça tudo sobre as novas regras.
Imagem: https://pbs.twimg.com/media/CRXhkDcUYAEEv5v.jpg

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Crônicas da 8ª série/2012/ Escola Fortaleza


Os meus alunos de 8ª série escreveram crônicas. A própria turma, após leitura, elegeu três textos para serem postados no blog. Os assuntos são variados, assim como a técnica utilizada. O primeiro texto é da aluna Eduarda. Este texto conscientiza as famílias sobre a necessidade de cuidar de seus filhos a fim de evitar o uso de drogas. O texto seguinte é do aluno Taygor. Ele escreveu em forma de poesia abordando o tema violência na escola contra alunos e professores. E o terceiro texto é da aluna Luana. Esta crônica descreve situações onde o ser humano esquece da sua condição "humana" menosprezando as pessoas na rua.
Todos os textos estavam muito bons. Todos os alunos estão de parabéns.
Vamos curtir a leitura dos textos destes novos grandes cronistas.

Drogas na família

Nos dias de hoje as drogas são muito usadas, mesmo com várias campanhas contra as drogas, as pessoas não param de usar e isso é sério porque atinge todas as idades e todo o mundo.
No dia 05 de abril de 2012, uma menina com apenas 14 anos fugiu de sua casa onde morava junto com seus pais e seu irmão.
Uma família com renda baixa de apenas um salário mínimo, para sustentar quatro pessoas, a casa é situada em um bairro pobre da zona sul de Porto Alegre.
A menina chamada A.S.N. resolveu fugir de casa porque seu irmão a viu usando drogas junto com seus amigos no pátio do lado de fora da escola e foi diretamente ligar para sua mãe e dizer que a menina estava usando drogas.
Era uma manhã, por volta das oito horas, quando a mãe recebeu o telefonema e foi rapidamente para a escola onde sua filha estava.
Chegando lá, a mãe colocou a menina rapidamente para dentro do carro onde estava e a levou para casa. A mãe da menina deu-lhe uma surra e deixou-a durante trinta dias sem sair de dentro de casa.
A família não tinha dinheiro para colocar a filha em um centro de recuperação, por isso que sua mãe deixou ela por trinta dias trancada dentro de casa, onde viviam.
Depois dela completar trinta dias trancada, sua mãe resolve mandá-la de volta pra escola.
A menina estava no quarto que dividia com seu irmão, que no momento estava no banheiro. A menina estava enganando sua família, ela estava no quarto fingindo estar arrumando a mochila para ir para a escola, mas ela estava enchendo a mochila de roupas.
A mãe leva os filhos para a escola e deixa eles lá, na hora do meio dia, somente o menino aparece em casa.
A menina fugiu, ninguém sabe para onde, até hoje ela não foi encontrada. Em todos os bairros já foram procurados, mas nada da menina.
A família vive em angústia por não ter recuperado a filha.
Então, pais, cuidado com seus filhos, porque isso pode acontecer com eles. E não vão achando que acontece só com os filhos dos outros, que com os seus também pode acontecer. Se você não cuidar, as amizades, as más influências, você deve tomar muito cuidado se não quiser virar pai de um viciado em drogas.
Hoje em dia não há idade para se drogar, são crianças, jovens, adultos, idosos, mulheres grávidas estão usando drogas. Então tome cuidado com sua família!
Eduarda Garcez
8ª série

Violência escolar
Violência nas escolas...
Um problema que podemos solucionar
Mas devemos fazer nossa parte
Para as pessoas se conscientizarem...
Escola é um ambiente de educação
Onde adquirimos o conhecimento
Que levamos para nossa vida
Com muito sentimento...
Brigas não levam a nada
Só trazem problemas e confusões
Vamos evitar fazer isso
Para não ter complicações...
O “Bullying” nos deixa com constrangimento
Porque a pessoa é humilhada
Todas às vezes maltratada
E não ganham respeito
E que temos direito
E que cada um merece...
Professores são como nossos pais
Nos educam e nos ensinam
As lições da escola e tudo mais
Mas não estão sendo respeitados
Às vezes até violentados
Por quem devia agradecer
E até a mão estender
Para o que eles precisarem...
A convivência com nossos colegas
Boa ela deve ser
Para que isso aconteça
Devemos merecer
Para que sejamos felizes
... e... ir na escola para aprender...

Taygor P. Melatti
8ª série


Uma vida inteira
O tempo passa e eu vou ficando, os segundos mudam. As pessoas sentem-se normais, mas não sabem que cada dia que passa elas envelhecem.
Eu fui perceber há pouco tempo. As pessoas vão mudando a forma e não mudam seus pensamentos sobre as pessoas que vivem na rua sem ninguém para os ajudar, sujos, sem lar. Todos passam e ficam com nojo, se pedem algum centavo, todos dão com vontade de nem olhar para a cara dos outros, ou negam.
Estava no centro de Camaquã, sentada na praça quando olho para a frente, do outro lado da rua, vejo um mendigo, sujo, machucado e ninguém olhava ele como uma pessoa normal. Só que eu pensei: por que discriminar se ele é como nós? Talvez ele esteja ali não por ser pobre, mas talvez porque tenha problemas com a família.
Ele pedia dinheiro e ninguém dava. Fiquei uns trinta minutos observando e com tanto tumulto uma senhora já de idade que passava por ali ajudou o “moço”. O mais importante foi que ela não olhou para ele pensando mal. Ela o ajudou com pouco, mas de coração.
Percebi que ela também era pobre mas o pouco que tinha compartilhou com quem não tem nada.
E tanta gente ambiciosa, com tudo, negou e ficou com nojo.
Desde aí eu começo a pensar como funciona isso, todos cheios de dinheiro não deram nada e a pobre senhora ajudou...

Luana Raphaelli Arndt
8ª série

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Círculo dos 99


Parece uma historinha boba, mas leia e veja se você não está nesse esquema...
É bom pensar e evitar cair nesse raciocínio!!!

Era uma vez um Rei muito triste; que tinha um pajem, que como todo pajem de um Rei triste, era muito feliz...
Todas as manhãs, o pajem chegava com o desjejum do seu Amo, sempre rindo e cantarolando alegres canções...
O sorriso sempre desenhado em seu rosto, e a atitude para com a vida sempre serena e alegre...
Um dia o Rei mandou chamá-lo:
- Pajem - disse o Rei - qual é o seu segredo?
- Qual segredo, Alteza?
- Qual o segredo da tua alegria?
- Não existe nenhum segredo, Majestade...
- Não minta, pajem... bem sabes que já mandei cortar muitas cabeças por ofensas menores do que a sua mentira!
- Mas não estou mentindo! Não guardo nenhum segredo.
- E por que estás sempre alegre e feliz?
- Majestade, eu não tenho razões para estar triste: muito me honra servir a Vossa Alteza, tenho minha esposa e meus filhos e vivemos na casa que a Corte nos concedeu; somos vestidos e alimentados, e sempre recebo algumas moedas de prata para satisfazer alguns gostos.... Como não estar feliz?
- Se você não me disser agora mesmo qual é o seu segredo, mandarei decapitá-lo - disse o Rei - Ninguém pode ser feliz por essas razões que você me deu!
- Mas Majestade, não há nenhum segredo... Nada me satisfaria mais do que sanar a vossa curiosidade, mas realmente não há nada que eu esteja escondendo.
- Vá embora daqui antes que eu chame os guardas.
O pajem sorriu, fez a habitual reverência e deixou o Rei em seus pensamentos.
O Rei estava como louco. Não podia entender como o pajem poderia ser feliz vivendo em uma casa que não lhe pertencia, usando roupas de terceira mão e se alimentando dos restos dos cortesãos.
Quando se acalmou mandou chamar o mais sábio de seus conselheiros, e lhe contou a conversa que tivera com o pajem pela manhã.
- Sábio, por que ele é feliz?
- Ah, Majestade! O que acontece é que ele está fora do Círculo...
- Fora do Círculo?
- Sim.
- E é isso o que faz dele uma pessoa feliz?
- Não, Majestade. Isso é o que não o faz infeliz...
- Vejamos se entendo: estar no Círculo sempre nos faz infelizes?
- Exato.
- E como ele saiu desse tal Círculo?
- Ele nunca entrou.
- Nunca entrou? Mas que Círculo é esse?
- É o Círculo dos 99...
- Realmente não entendo nada do que você me diz.
- A única maneira para que Vossa Alteza entenda seria mostrando pelos fatos.
- Como?
- Fazendo com que ele entre no Círculo.
- Isso! Então o obrigarei a entrar!
- Não, Alteza, ninguém pode ser obrigado a entrar...
- Então teremos que enganá-lo.
- Não será necessário... se lhe dermos a oportunidade, ele entrará por si mesmo.
- Por si mesmo? Mas ele não notará que isso acarretará sua infelicidade?
- Sim, mas mesmo assim entrará... Não poderá evitar!
- Me diz que ele saberá que isso será o passo para a infelicidade e que mesmo assim entrará?
- Sim. O senhor está disposto a perder um excelente pajem para compreender a estrutura do Círculo?
- Sim.
- Então nesta noite passarei a buscar-lhe. Deves ter preparada uma bolsa de couro com 99 moedas de ouro. Mas devem ser exatas 99, nem uma a mais, nem uma a menos.
- O que mais? Devo levar escolta para proteger-nos?
- Nada mais do que a bolsa de couro, Majestade...
- Então vá. Vemos-nos à noite
Assim foi...
Nessa noite o sábio buscou o Rei e juntos foram até os pátios do Palácio. Esconderam-se próximo à casa do pajem e lá aguardaram o primeiro sinal.
Quando dentro da casa se acendeu a primeira vela, o sábio pegou a bolsa de couro e junto a ela atou um papel que dizia as seguintes palavras: "Este tesouro é teu. É o prêmio por seres um bom homem. Aproveite e não conte a ninguém como encontrou esta bolsa".
Logo deixou a bolsa com o bilhete na porta da pajem. Golpeou-a uma vez e correu para esconder-se. Quando o pajem abriu a porta, o sábio e o Rei espiavam por entre as árvores para verem o que aconteceria. O pajem viu o embrulho à sua porta, olhou para os lados, leu o papel, agitou a bolsa e, ao escutar o som metálico, estremeceu dos pés à cabeça, apertou a bolsa contra o peito e rapidamente entrou em sua casa.
O Rei e o sábio se aproximaram então da janela para presenciar a cena.
O pajem havia despejado todo o conteúdo da bolsa sobre a mesa, deixando somente a vela para iluminar. Havia se sentado e seus olhos não podiam crer no que estavam vendo...
Era uma montanha de moedas de ouro!
Ele, que nunca havia tocado em uma dessas, de repente tinha um monte delas...
Ele as tocava e amontoava, acariciava e fazia brilhar à luz da vela. Juntava e esparramava, fazendo pilhas...
E assim, brincando, começou a fazer pilhas de 10 moedas. Uma, duas, três, 4, 5.... e enquanto isso somava 10, 20, 30, 40, 50... até que formou a última pilha... 99 moedas?
Seu olhar percorreu a mesa primeiro, buscando uma moeda a mais, logo o chão e finalmente a bolsa. "Não pode ser" – pensou.
Pôs a última pilha ao lado das outras nove e notou que realmente esta era mais baixa.
- Me roubaram! Me roubaram – gritou.
Uma vez mais procurou por todos os cantos, mas não encontrou o que achava estar faltando....
Sobre a mesa, como que zombando dele, uma montanha resplandecia e lhe fazia lembrar que haviam SOMENTE 99 moedas. "99 moedas... é muito dinheiro" - pensou -
"Mas falta uma... Noventa e nove não é um número completo. 100 é, mas 99 não..."
O Rei e o sábio espiavam pela janela e viam que a cara do pajem já não era mais a mesma: ele estava com as sobrancelhas franzidas, a testa enrugada, os olhos pequenos e o olhar perdido... sua boca era uma enorme fenda, por onde apareciam os dentes que rangiam...
O pajem guardou as moedas na bolsa, jogou o papel na lareira e olhando para todos os lados e constatar que ninguém havia presenciado a cena, escondeu a bolsa por entre a lenha. Pegou papel e pena e sentou-se a calcular. Quanto tempo teria que economizar para poder obter a moeda de número 100?
O tempo todo o pajem falava em voz alta, sozinho... Estava disposto a trabalhar duro até conseguir. Depois, quem sabe, não precisaria mais trabalhar... com 100 moedas de ouro ninguém precisa trabalhar.
Finalizou os cálculos. Se trabalhasse e economizasse seu salário e mais algum extra que recebesse, em 11 ou 12 anos conseguiria o necessário para comprar a última moeda.
" Mas 12 anos é tempo demais... Se eu pedisse à minha esposa que procurasse um emprego no vilarejo, e se eu mesmo trabalhasse à noite, em 7 anos conseguiríamos" - concluiu depois de refazer os cálculos.
"Mesmo sendo muito tempo, é isso o que teremos que fazer..."
O Rei e o sábio voltaram ao Palácio.
Finalmente o pajem havia entrado para o Círculo dos 99!!!
Durante os meses seguintes, o pajem seguiu seus planos conforme havia decidido naquela noite.
Numa manhã, entrou nos aposentos reais com passos fortes, batendo nas portas, rangendo dentes e bufando com todo o mau humor típico dos últimos tempos...
- O que lhe acontece, pajem? - perguntou o Rei de bom grado.
- Nada, não acontece nada...
- Antigamente, não faz muito, você ria e cantava o tempo todo...
- Faço ou não o meu trabalho? O que Vossa Alteza esperava? Que além de pajem sou obrigado a estar sempre bem porque assim o deseja?
Não se passou muito e o Rei despediu o seu pajem, afinal, não era nada agradável para um Rei triste ter um pajem mal humorado o tempo todo!

Você, Eu e todos ao redor fomos educados nessa psicologia: Sempre falta algo para estarmos completos. E somente completos podemos gozar do que temos.
Portanto, nos ensinaram que a Felicidade deve esperar até estar completa com aquilo que falta. E como sempre falta algo, a ideia volta ao início e nunca se pode desfrutar plenamente da vida... Mas, o que aconteceria se a iluminação chegasse às nossas vidas e nos déssemos conta, assim, de repente, que nossas 99 moedas são os nossos 100% ?
Que nada nos faz falta?
Que ninguém tomou aquilo que é nosso?
Que não se é mais feliz por ter 100 e não 99 moedas?
Que tudo é uma armadilha posta à nossa frente para que estejamos sempre cansados, mal humorados, desanimados, infelizes?
Uma armadilha que nos faz empurrar cada vez mais e ainda assim tudo continue igual... eternamente iguais e insatisfeitos....
Quantas coisas mudariam se pudéssemos desfrutar de nosso tesouro tal como é!!!
Se este é o seu problema, a solução para sua vida está em saber valorizar o que você tem ao seu redor, e não lamentar-se por aquilo que não tem ou que poderia ter...

(Autor Desconhecido)

sábado, 14 de abril de 2012

A Língua e suas variedades


A LíNGUA E SUAS VARIEDADES

Uma língua não é falada de maneira idêntica pelos seus usuários. Não sendo uniforme, podemos observar inúmeras variações se compararmos, por exemplo, a expressão de gaúchos, pernambucanos, cariocas, mineiros e paulistas. Essas variações são, entre outras, principalmente de natureza fonética (o que chamamos de sotaque), lexicais (emprego de palavras e expressões próprias) e sintáticas (ordem das palavras na oração, regência, concordância, etc.)
Além das variações regionais, a língua varia conforme a época, a classe social, o nível de instrução, a faixa etária, a situação de comunicação, etc.

Portanto as variações linguísticas são decorrentes:
a) Do falante: variedades relacionadas à região onde se nasce, ao meio social em que se é criado ou se vive, à profissão que se exerce, à faixa etária e ao momento histórico.
b) Da situação: variedades que ocorrem em função do interlocutor, do tipo de mensagem e do momento ou contexto.

Um advogado, por exemplo, faz diferentes usos da língua ao conversar com um colega de profissão, ao dirigir-se a um juiz no tribunal, ao redigir um bilhete para a secretária ou os argumentos de defesa de um réu. A esses tipos de variedades dá-se o nome de registros.

Tanto na linguagem oral quanto na linguagem escrita, podemos observar diversos graus de formalidade, do mais informal ao mais formal.
Estou preocupado. (norma culta)
Tô preocupado. (língua popular, coloquial)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)

Não é a mesma coisa falar para dezenas de pessoas em um auditório e contar algo a um amigo. Tampouco é a mesma coisa falar com um irmão e falar com o prefeito da cidade. Cada um desses momentos é uma situação comunicativa diferente. Variam não só as pessoas, mas o lugar, o momento, o(s) receptor(es), as relações afetivas e o tema do qual se fala (a partida de futebol, a suspensão do aluno, etc.)

Registro é como chamamos a variante linguística condicionada pelo grau de formalidade existente na situação em que se dá o ato da fala, ou da finalidade, no ato da escrita.

Observe diferentes registros:
O professor, seguidor fiel dos regulamentos, não permitirá nenhum desvio de conduta dos alunos. (formal)
O professor é rigoroso e não vai permitir nenhuma desordem dos alunos. (informal)
O professor é ligadão na disciplina e não vai dar colher de chá aos alunos. (muito informal)

Gíria , jargão e calão
A gíria e o jargão são códigos linguísticos próprios de um grupo sociocultural ou profissional, com vocabulário especial, difícil de compreender ou incompreensível para os não-iniciados. Um médico ao explicar um procedimento cirúrgico, um economista ao explicar a desvalorização da moeda ou um advogado ao explicar procedimentos e argumentações jurídicas empregam jargões próprios da sua profissão. Marginais do tráfico de drogas, surfistas, grupos de rap e policiais, por exemplo, empregam gírias que os identificam e contribuem para a coesão do grupo. As fronteiras entre a gíria e o jargão não são, algumas vezes, bem delimitadas.

Linguagem Técnica: Você está com escabiose.
Linguagem coloquial: Ex.: Você está com sarna.

O calão (ou baixo calão) é uma realização linguística caracterizada pelo uso de termos baixos, grosseiros ou obscenos, que, dependendo do contexto, muitas vezes chocam a falta de decoro e desvalorizam socialmente aqueles que o empregam.

As variedades linguísticas
Qualquer criança aprende a usar uma língua de forma rápida, espontânea e inconsciente. Portanto, o uso oral da língua independe de qualquer escolarização. Entretanto, essa capacidade se restringe a situações informais do cotidiano. O papel da escola é transmitir padrões referentes ao uso da escrita e da fala em situações formais, sem esquecer, contudo, as variedades históricas, regionais, sociais e outras, como as condicionadas pelo grau de escolaridade, pela faixa etária, pelo momento, pela situação, etc.
Esse padrões referem-se ao uso da norma de maior prestígio sociocultural, isto é, a norma culta ou norma padrão.

Culta ou padrão é a língua veiculada nos dicionários, nas gramáticas, nos textos literários, técnico-científicos e jornalísticos, e na redação dos documentos oficiais do país.

Portanto, não se pode usar exclusivamente a língua escrita com finalidades de criação literária como modelo de língua padrão. Além disso, seria mais apropriado falarmos em variedades cultas, já que um brasileiro culto nascido e criado em uma região não vai falar exatamente igual a um brasileiro culto nascido e criado em outra. Além disso, outras diferenças, como a faixa etária ou a profissão, por exemplo, podem determinar outras características.

O preconceito linguístico
Afirmar que alguém não sabe falar corretamente porque não utiliza a variedade de maior prestígio é desconhecer a diversidade linguística brasileira. O que se pode questionar é a adequação da fala à situação de comunicação. Os membros das variadas comunidades linguísticas, distribuídas por regiões ou grupos sociais, comunicam-se e são compreendidos utilizando a norma da sua comunidade.

Para que se possa ensinar a variedade de maior prestígio, é fundamental que a escola respeite a modalidade de língua que cada um trouxe de sua comunidade, e que permanecerá utilizando em seu meio social.

Por que estudar a língua padrão?
A variedade da língua que você fala não é a mesma que é ensinada na escola. É dever da escola ensinar a norma culta, empregada em situações formais. Por ser a mais valorizada socialmente, o domínio da norma culta é fundamental para a vida profissional, a ascensão social, a participação na vida político-social e cultural do país, o desenvolvimento do pensamento abstrato e a compreensão dos variados tipos de textos.

A língua padrão deve ser considerada como um recurso a mais. O seu professor não segue rigorosamente em sua própria fala a gramática que ele ensina. Além disso, a língua está em constante mutação e muitas regras gramaticais exigidas em concursos, prescritas nas gramáticas, em programas de televisão ou artigos de jornais estão defasadas e já não seguidas pela maioria dos falantes cultos.

Infelizmente, os vestibulares tradicionais tratam as variantes linguísticas quase sempre sob o ponto de vista do “certo” e do “errado”, considerando que o falar “correto” é apenas aquele que segue as normas da linguagem culta e formal. Os vestibulares inovadores e as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) exploram as variantes linguísticas com mais inteligência, observando a sua expressividade, as intenções de caracterização de personagens e situações, os efeitos humorísticos etc.
Imagem: https://mscamp.wordpress.com/files/2008/10/variedade-linguistica11.jpg

Números Romanos


Uso dos números romanos


Atualmente, os números romanos estão em desuso, inclusive nos relógios não digitais. As escolas não ensinam mais a sua leitura, pois no mundo informatizado não há espaço para eles.
O Manual do Estadão recomenda que se usem os romanos apenas em nomes de reis, papas e nas transcrições de leis: "Parágrafo 4.º -IV – a inelegibilidade de que trata esse parágrafo...". Nos demais casos, como séculos, capítulos, guerras, governos, planos, projetos, usinas, naves espaciais, zonas, distritos, regiões, festas, feiras, congressos, conferências, simpósios, competições esportivas, usar algarismos arábicos mesmo.
As regras usuais na numeração romana usual foram:
1. Os símbolos básicos: I (um), X (dez), C (cem), M (mil), com os valores intermédios V (cinco), L (cinqüenta) e D (quinhentos). Valores acima de mil são representados por traços horizontais em cima das letras. Veja exemplo no quadro abaixo.
2. Os símbolos não são repetidos mais do que três vezes. De 1 a 5: I, II, III, IV. De dez a 50: X, XX, XXX, XL. De 100 a 500: C, CC, CCC, CD. Assim por diante.
Veja alguns números:
I – 1, II – 2, III – 3, IV – 4, V – 5, VI – 6, VII – 7, VIII – 8, IX – 9, X – 10, XI – 11, XIX – 19, XX – 20, XXX – 30, XL – 40, L – 50, LX – 60, XC – 90, C – 100, CC – 200, CD – 400, D – 500.

(Manual de Redação do Estadão)
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